Na estrada da vida

Se vira nos quase 30

Sabe aquela frase manjada de que sua vida começa depois da sua zona de conforto? Bom, eu saí tanto da zona de conforto nos últimos meses que eu nem estou mais vendo a linha de divisão. Não acho ruim, também não é lá seu mar de rosas, quer dizer, eu acho que os desafios são emocionantes, mas eles dão uma trabalheira danada.

Nem tudo é o fim do mundo também, tenho aprendido tanto nesses meses que eu nem sou mais a mesma pessoa, e isso sim é bom. Todas aquelas frases motivacionais de carpe diem ganharam um sentido completamente novo pra mim.

Eu, que era aquela garota sonsa, com a cabeça nas nuvens, que vivia sonhando com o casamento perfeito e crianças lindas e maravilhosas que correm alegremente pela casa, me deparei com todos os problemas de uma vida adulta de uma só vez. Nem sei mais se ainda quero aquilo tudo com que sonhei.

Cara, as coisas não foram aquilo tudo que eu li nos contos de fadas! #chateada

Será que a culpa é da sociedade que cria expectativas irrealistas de felicidade, ou a culpa é do leitor que não leu nas entrelinhas e percebeu a verdadeira moral da história? Por exemplo, o príncipe se aproveitou da aurora enquanto ela dormia, a Branca de Neve estava morta quando o príncipe se aproveitou dela, a Bela estava presa num relacionamento abusivo e a da Cinderela só foi reconhecida por ter pezinhos perfeitos.

Ainda acredito que sonhar é bom, é uma mania muito gostosa. Acontece que os efeitos colaterais são terríveis. Criar expectativas é um dos erros mais comum do mundo, acho que a cada dia que passa aprendo cada vez mais a desistir de expectativas. Eu que sempre planejei cada detalhe dos próximos 20 anos tenho aprendido que a gente nunca tem controle de nada e no fim tudo se ajeita do lado de fora da zona de conforto.

A verdade é que se esperarmos pelo momento certo as vezes ele nunca chega, e deixar de fazer as coisas por ter medo de perder o controle nunca vai levar ninguém à lugar nenhum. E eu sou uma pessoa que quer ir a algum lugar!

Afinal de contas, a vida acontece agora e não amanhã, certo? Comecei a aprender a me preocupar com o amanha quando ele chegar, por mais que a gente planeje todos os detalhes, ainda haverão imprevistos, nunca teremos controle de tudo, alias, serão poucas as situações ao nosso controle. Comecei a apreciar o agora, e ser feliz agora, porque ninguém sabe como será o amanhã, talvez uma grande tragédia aconteça amanha e a gente nunca mais seja feliz. Por que desperdiçar seu último momento de felicidade esperando por um futuro melhor? Não que eu acredite que exista uma tragédia que não possa ser superada.

Então, pois é, aqui estou, com quase trinta anos e bem longe do sonho da casa própria, decidi desbravar a terra além da zona de conforto e acabei alugando meu próprio cantinho. É assustador sim, não faço ideia do que vai acontecer daqui três meses, se terei dinheiro pras contas, mas ao menos estou curtindo o agora no meu cantinho. Se eu fosse esperar juntar dinheiro para comprar uma casa de forma segura e confortável, talvez esse dia nunca chegasse.

A gente aprende muito nessa vida, a gente cresce muito todo dia, pode parecer que a vida fica mais difícil, mas a gente sempre se adapta e se desencana das expectativas. Cá estou eu, 28 anos nas costas, aprendendo a ser adulta. É cômico de fato. Quanto mais velha eu fico, mais a ficha cai de que a gente nunca vai se sentir 100% seguro de si, eu, nas palavras de Cássia Eller, ainda me sinto uma garotinha, ando nas ruas e troco cheque, mas ainda me sinto uma criança sem conhecer a verdade.

Sim, eu admito, já se foram 10 anos de vida adulta, e eu ainda sinto como se eu estivesse fingindo para todo mundo que eu tenho noção do que eu estou fazendo. Acho que a maioria das pessoas se sentem assim, mais do que elas gostariam de admitir.

É isso ai, chegou minha hora de dar a cara ao tapa, sair da zona de conforto, se virar nos quase 30 anos, porque quem sabe a vida é não sonhar? Quem sabe a vida é menos planejamento e mais vamo que vamo? E quem foi que te disse que não dá pra ser feliz nos dias de luta?

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2 comentários sobre “Se vira nos quase 30

  1. Liv Marie disse:

    Entendo perfeitamente todas essas fases D. A gente acorda – ou deita na cama – e percebe que virou adulto sem saber ao certo como, e sem todas as garantias que a gente achou que viriam com isso. Cadê nosso comitê de boas vindas, o trabalho seguro, a casa própria, as férias de final de ano e a família de fotografia. De repente tudo ganha seu peso real e você questiona se vale mesmo o esforço de tentar equilibra todos esses elementos em sua bandejinha.
    Acho que no fim, é bem o que você disse, um passo de cada vez, e a gente vai saindo do lugar, descobrindo novos caminhos e principalmente novas versões de nós mesmas.
    Só tenho a dizer que fico feliz demais por ver você correndo atrás do que te faz feliz e de ter alguém pra compartilhar impressões dessa incrível jornada (minus the talking animals).
    E fico feliz também em ver vc escrevendo de novo. 🙂

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